terça-feira, 21 de setembro de 2010

A bailarina

Uma bailarina que sem pés passeia.
A imagem, surrupiada do poema A Vaga, da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, provoca estranhamento, mas é inequívoca em sua beleza. Difícil conceber uma bailarina, cujo ofício é dançar, desprovida dos elementos que lhe conferem essa condição. A suavidade provocada pela aliteração em s, no entanto, permite a construção de uma bailarina etérea, pairando sobre um imaginário palco, criando uma bonita visão, que em nada remete a uma mulher mutilada, como a linguagem, do ponto de vista estritamente semântico, poderia nos levar a pensar.
Eis a particularidade, e a provocação, do texto poético.
Eis a promessa da boa poesia.

Mais de Sophia em www.astormentas.com/andresen.htm

Um comentário:

  1. Querida despretensa sonhadora Ligia, a minha primeira impressao foi tragica: uma bailarina Frida Kahlo mutilada (mas sonhadora)... ''Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?''

    E se as asas de Frida foram as artes plasticas as da poeta Andresen foram as artes literarias embelezadas obviamente pelo seu belo olhar q viu uma bailarina sem pes dancar, porque sem pes (no chao) voa...

    Entao, tao importante qto as asas artisticas, sao seus olhos artisticos, Ligia, q abrem olhos alheios e passeiam pelas palavras sem trupicar... :)

    Bj,
    Fabio

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