Uma bailarina que sem pés passeia.
A imagem, surrupiada do poema A Vaga, da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, provoca estranhamento, mas é inequívoca em sua beleza. Difícil conceber uma bailarina, cujo ofício é dançar, desprovida dos elementos que lhe conferem essa condição. A suavidade provocada pela aliteração em s, no entanto, permite a construção de uma bailarina etérea, pairando sobre um imaginário palco, criando uma bonita visão, que em nada remete a uma mulher mutilada, como a linguagem, do ponto de vista estritamente semântico, poderia nos levar a pensar.
Eis a particularidade, e a provocação, do texto poético.
Eis a promessa da boa poesia.
Mais de Sophia em www.astormentas.com/andresen.htm
Querida despretensa sonhadora Ligia, a minha primeira impressao foi tragica: uma bailarina Frida Kahlo mutilada (mas sonhadora)... ''Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?''
ResponderExcluirE se as asas de Frida foram as artes plasticas as da poeta Andresen foram as artes literarias embelezadas obviamente pelo seu belo olhar q viu uma bailarina sem pes dancar, porque sem pes (no chao) voa...
Entao, tao importante qto as asas artisticas, sao seus olhos artisticos, Ligia, q abrem olhos alheios e passeiam pelas palavras sem trupicar... :)
Bj,
Fabio